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A manifestação espiritual de Cristo na Ceia durante a Idade Média - Ratramno e Berengário

A Eucaristia sempre teve papel fundamental na reunião dos cristãos. Justino Mártir (100-165), em uma das mais antigas descrições de culto, descreve o sacramento do pão e do vinho, tomados pelo presidente da congregação que agradece e louva a Deus pelo privilégio de tê-lo. "Este alimento é chamado entre nós Eucaristia, da qual ninguém é permitido participar senão aquele que acredita que as coisas que ensinamos são verdade e que foi lavado com o lavar da remissão de pecados" [1] No período medieval, a Eucaristia permaneceu como centro do culto, porém adquiriu novas nuances que não estavam presentes. O aspecto sacrificial se tornou primordial, ainda mais do que o caráter comemorativo da eucaristhia ( εὐχαριστία, "ação de graças" ).  "A adoração pública era centrada na celebração da missa como uma real, embora incruenta, repetição do sacrifício de Cristo pelos pecados do mundo (...) O caráter misterioso da Eucaristia foi transformado no miraculoso e até mesmo mági...

A RESSURREIÇÃO COMO CONTEMPLAÇÃO DA MAJESTADE DIVINA

Nosso Senhor Jesus, desde o início de seu ministério, profetizava sobre sua morte e ressurreição. “Destruam este templo, e eu o levantarei em três dias” (Jo 2.19), disse ele após ser indagado pelos judeus quanto a uma prova de sua autoridade para purificar o santuário profanado por eles. Os discípulos presentes acharam ser o templo físico, mas o próprio Evangelista diz que “o templo do qual ele falava era o seu corpo” (v.21). Mesmo quando falou explicitamente (Mc 9.30-32), os discípulos não entenderam, vindo a crer apenas depois. A ressurreição era um enorme mistério a judeus e gregos e até hoje permanece um enigma em nossa mente humana. O entendimento natural da vida nos leva a concluir que a morte é a sua linha definitiva, o encerramento de nossa trajetória, onde o suspirar se encerra e o corpo padece em decadência. A crença de que um corpo maltrapilho não se corrompeu após três dias sepultado e ressuscitou plenamente renovado é um absurdo a nossa razão, mas é por isso qu...

“Busque a Deus nos céus” - A apologia contra veneração de imagens de Cláudio de Turim (780-827)

Iconoclasmo bizantino, Saltério Chludov, Séc. IX O período medieval é tido por muitos protestantes apenas como a época obscura onde a Igreja se corrompeu e perdeu a verdade que haveria de ser resgatada na Reforma. Com certeza, muitas superstições surgiram ao longo dos séculos mas a verdade não estava completamente perdida e nem tudo deve ser descartado, como também nem todas as práticas detinham universal aprovação. Dentre as mais contestadas pelos reformadores está a veneração de imagens , o ato de pintar imagens que representem santos, anjos ou o próprio Cristo e honrá-las com devoção, sob a defesa de que a veneração se dirige primariamente ao que é  representado e não a imagem em si. Segundo João Damasceno (675-749) , defensor dos ícones no século VIII, “Dê a elas [as representações] toda a persistência da gravura e da cor. Não tenha medo ou ansiedade; nem toda veneração é igual (…) Adorar é uma coisa, veneração é outra. Há diferentes graus de adoração” [1] Nem todos, porém, con...

BIOGRAFIA HUGUENOTE - Gaspard II de Coligny, o líder dos calvinistas franceses

Gaspard II de Coligny, François Clouet, 1565-70 - Saint Louis Art Museum Gaspard II de Coligny, seigneur de Châtillon, nasceu em 19 de fevereiro de 1519, em Châtillon-sur-Loing. Era nobre de berço, filho de Gaspard I de Coligny e Louise de Montmorency, aristocratas da Borgonha. Seu pai era um grande militar e tornou-se Marechal da França e Conde de Guienne, porém faleceu quando Gaspard tinha ainda 3 anos, em 1522.  Seu tio, o conhecido condestável Anne de Montmorency, assumiu a sua criação e a de seus irmãos, permitindo que ele tivesse uma educação humanista na corte. Ele e seu irmão Francisco, futuro seigneur  d'Andelot almejavam uma carreira militar e treinaram desde jovens para alcançarem seus sonhos. Aos 22 anos, em 1542, aproximou-se de Francisco, Duque de Guise, iniciando sua participação no campo de batalha ao lutar pelos monarcas Francisco I e Henrique II contra os espanhóis habsburgos. Batalhou nas campanhas italianas ocorridas em 1544 e foi cavaleiro na Batalha de Ce...

A natividade e encarnação de Cristo Jesus - NATAL 2021

O Natal é um grande marco no ano cristão, reunindo milhares de fiéis em torno do mundo para celebrar o nascimento do nosso Salvador. Todos conhecem a história: Deus escolheu Maria, uma virgem judia, para dar a luz ao Filho de Deus, concebido pelo Espírito Santo (Lc 1:45) e que recebeu em seu nascimento a visita dos magos (Mt 2:11) e dos pastores (Lc 2:15-16). O Natal é uma boa ocasião para refletirmos sobre o quão impressionante foi a vinda de Jesus à terra . Cristo era homem como nós por ser “nascido de mulher” (Gl 4:4) e ter assumido a carne em toda a sua essência (Jo 1:14), passando por todas as suas fraquezas, porém divino por ser a Palavra pré-existente e criadora de todas as coisas (Jo 1:1-2) capaz de realizar milagres e dizer Eu Sou (Jo 8:58). Esse é o maravilhoso milagre da Encarnação, a vinda do Verbo eterno a nossa realidade a fim de salvar o povo dos seus pecados (Mt 1:21). O mesmo Cristo que tem vida em si mesmo (Jo 5:26) e um com o Pai (Jo 10:30) é o mesmo que sentiu...